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Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Portugal sem recursos

André, 13.05.21

Quando consultamos o dicionário, ficamos sem dúvidas que recursos são um conjunto de meios disponíveis para serem utilizados (ex.: recursos hídricos; recursos humanos; recursos materiais; recursos naturais).

 

Desde hoje, dia 13 de Maio, Portugal começa a viver a “crédito ambiental”, ou seja, os cidadãos consumiram todos os recursos que permitiriam viver de forma sustentável este ano de 2021.

O ano passado o dia da sobrecarga só chegou em 25 de maio.

 

As áreas que têm mais peso na pegada ecológica de Portugal são alimentação, responsável por 32% do consumo de recursos, e a mobilidade.

Não obstante todos os esforços que fazemos pela eficiência energética, pela reciclagem, Portugal não está a conseguir reduzir a pegada ecológica, e continua a aumentá-la.

 

O que temos de mudar?

  • Para a associação Zero, os objetivos devem passar pela redução do consumo de proteína animal e a aposta numa “alimentação típica mediterrânica, com mais vegetais, leguminosas e mais fruta”. De acordo com os dados para Portugal, os cidadãos consomem três vezes mais carne do que se recomenda na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços da fruta;
  • Movimentarmo-nos de forma sustentável, privilegiar os transportes coletivos, andar de bicicleta, a pé, e claro, reduzir ou eliminar mesmo as viagens de avião substituindo nomeadamente as reuniões por videoconferência;
  • Consumir de forma mais circular, é fundamental mudar o paradigma de “usar e deitar fora”, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de “ter menos, mas de melhor qualidade”, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação.

 

Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus, para implementar transformações que possam contribuir para que possamos viver com bem-estar, respeitando os limites do planeta.

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Referências:

  1. Zero, Portugal aciona cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo. Disponível aqui.

European Organic Congress

André, 06.05.21

O Planeta está cada vez mais poluído, com a emissão de mais CO2 para a atmosfera, o efeito de estufa continua a aumentar, cada vez mais doenças crónicas afetam pessoas em todo o mundo, se não houver uma inversão urgente das políticas e dos comportamentos, enfrentaremos mudanças irreversíveis que terão um grande impacto na nossa vida.

 

O European Organic Congress é uma feira onde são discutidas as políticas de desenvolvimento da alimentação e agricultura orgânica. Neste evento são abordados vários temas como:

  • Green deal da UE;
  • A contribuição da agricultura biológica para a mitigação das alterações climáticas;
  • Sistemas alimentares sustentáveis;
  • Desenvolvimento rural;
  • E muito mais…

 

A 15ª edição do evento realizar-se-á em Lisboa de 16 a 18 de Junho, e devido à pandemia podemos assistir online.

 

A organização é da responsabilidade IFOAM e da Agrobio. Podendo reservar um lugar virtual aqui.

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Referências:

  1. European Organic Congress
  2. Agrobio
  3. IFOAM Organics International

Os segredos da primeira sementeira

André, 15.04.21

A Dieta Mediterrânica e a roda dos alimentos Portuguesa promovem o consumo de pelo menos duas porções de leguminosas por semana. Estes alimentos são muito completos do ponto de vista nutricional, fornecendo uma quantidade importante de proteína de origem vegetal. Além de importantes fontes proteicas, são excelentes fontes de hidratos de carbono complexos e fibra, com inúmeras vantagens, como: promoção da saciedade, redução da absorção de colesterol e manutenção dos níveis de glicémia estáveis.

 

Este ano pela primeira vez estou a aventurar-me no cultivo de feijão e grão-de-bico. Para mim a agricultura e a sustentabilidade devem andar de mãos dadas, por isso esta produção será em modo biológico sem recurso a quaisquer produtos químicos.

 

Recomenda-se que o grão seja semeado em Abril e o feijão em Maio, para aproveitar os meses de calor e evitar que a colheita ocorra durante os meses frios. Dependendo da área e quantidades que se pretende semear, poderá utilizar-se um semeador pneumático, de preferência com distanciamento entrelinhas de 30 a 50 cm e à profundidade de 5 a 7 cm.

 

Sendo uma cultura pouco exigente, a minha pouca experiência no manuseamento das alfaias agrícolas, sobretudo do semeador de linhas pode atrasar um pouco todo este processo de preparação do terreno e sementeira.

 

Parte do terreno que pretendo cultivar já está preparado com uma gradagem cruzada, agora é avançar com a sementeira e esperar que as condições se reúnam para daqui a uns meses possa fazer uma boa colheita.

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Aveleira | clima

André, 27.01.21

O consumo de frutos secos aumentou mais de 53% nos últimos 10 anos. Este aumento da procura deve-se a um maior conhecimento dos benefícios que este alimento tem na saúde. Estudos revelam que os frutos secos podem ajudar a diminuir o risco de doenças cardiovasculares e até o cancro.

 

A produção deste tipo de cultura (avelã, amêndoa, noz, amendoim) tem algumas exigências climáticas, que fazem com que a produção seja maior quando as condições aproximam-se das ideais.

 

A aveleira é uma planta de clima temperado. As temperaturas médias anuais para o seu desenvolvimento oscilam entre 23-27º C durante o dia e 16-18º C durante a noite no verão, e temperaturas mínimas invernais não inferiores a -8º C.  

Apesar de existirem cultivares com diferentes graus de resistência ao frio, a aveleira é uma fruteira relativamente resistente às geadas, necessitando de 700 a 1200 h de frio (entre Outubro e Abril abaixo de 7º C).

 

O número de horas de frio varia para as flores masculinas e femininas: as flores masculinas requerem entre 100 e 800 horas de frio para um adequado desenvolvimento, enquanto as femininas exigem entre 250 e 1500 horas de frio dependendo da cultivar.

O conhecimento das necessidades de frio das diferentes variedades permite ao produtor escolher as mais indicadas para a sua região

 

Que desafios enfrentamos?

Sabemos que o impacto das atividades humanas, nomeadamente a queima de combustíveis fósseis, o abate da floresta tropical e a pecuária, no clima e na temperatura da Terra é cada vez maior. As enormes quantidades de gases com efeito de estufas provenientes destas atividades juntam-se às naturalmente presentes na atmosfera, reforçando o efeito de estufa e o aquecimento global.

               

A desflorestação, por sua vez, é causada por atividades de produção altamente intensivas e poluentes, nomeadamente a agropecuária intensiva.

 

Numa altura em que deparamo-nos com épocas de frio ou calores extremos, tempestades, tufões,… será que devemos apostar numa cultura que pede um clima temperado e que terá retorno a médio/longo prazo?

Acredito que todos devemos fazer um pouco e contribuir para reverter a tendência catastrófica que o planeta está a levar, e também por isso decidi apostar (e continuarei a fazê-lo) na produção de Avelã em Modo de Produção Biológico.

O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

        == Madre Teresa de Calcutá ==

 

Quem tem árvores de fruto ou apenas por curiosidade, pode como ferramenta de auxílio acompanhar no site do ipma as horas de frio nas várias regiões de Portugal, e podemos ver a sua evolução ao longo dos meses (Outubro a Abril).

Horas frio_1Out2020-24Jan2021.png

Referências:

  1. A Aveleira, Projeto AGRO 162
  2. Aveleira: Estado da Produção. CNCFS
  3. Instituto Português do Mar e Agricultura. Disponível aqui

Prioridade ao ambiente

André, 22.12.20

Por muitos indicadores climáticos que tenhamos, é necessário haver incentivos que realmente promovam as boas práticas agrícolas e desmobilizem aquelas que em nada beneficiam a saúde e o ambiente.

 

A Comissão Europeia recomenda que Portugal dê prioridade à preservação ambiental e aumente a área de agricultura biológica, segundo a avaliação de Bruxelas, “a área de agricultura biológica está muito abaixo da média da União Europeia” e os sistemas agrícolas que têm um impacto positivo em termos ambientais estão a desenvolver-se lentamente, devendo ser privilegiado o financiamento das boas práticas agrícolas, que respeitem a biodiversidade.

Bruxelas recomenda que agricultura em Portugal dê prioridade ao ambiente

Referência:

  1. Bruxelas recomenda que agricultura em Portugal dê prioridade ao ambiente

Conferências Agroglobal

André, 04.09.20

A Agroglobal é a maior feira agrícola que se realiza em Portugal, este evento tem lugar de dois em dois anos, numa propriedade com cerca de 160 hectares, em Valada do Ribatejo, na lezíria do Tejo.

 

Desde a primeira edição, em 2009, a Agroglobal tem vindo a registar um crescimento constante. Na última edição, em Setembro de 2018, o certame atingiu valores recorde: contou com 390 expositores e com mais de 50.000 visitantes.

 

Dedicada ao sector agrícola, a feira funciona como ponto de encontro, montra de produtos, serviços e tecnologia, zona de demonstração e palco de debate.

 

A próxima edição estava prevista realizar-se nos dias 9, 10 e 11 de Setembro deste ano, mas devido à pandemia covid-19 foi adiada para 6, 7 e 8 de Julho de 2021.

agroglobal.png

Não querendo deixar de assinalar a data e numa iniciativa de divulgação e partilha de conhecimento, a Agroglobal vai realizar durante estes dias um conjunto de conferências que podem ser acompanhadas em direto aqui e tem como temas centrais:

 

Quarta-feira 9 de Setembro

  • Agricultura de Precisão
  • Os desafios da floresta de produção e a PAC pós 2020

Quinta-feira 10 de Setembro

  • Novas culturas e Agricultura Biológica
  • Almond Summit

Sexta-feira 11 de Setembro

  • Portugal no futuro, uma visão estratégica para a agricultura, alimentação e territórios
  • Estratégias “Green Deal”, “Farm to Fork” e biodiversidade 2030 na PAC e estratégia Portuguesa na PAC

 

Nestes dias também estará disponível uma planta virtual na página da Agroglobal em que os expositores vão comunicar as suas mais recentes soluções e os seus projetos inovadores a todos os visitantes que a ela queiram aceder.

Pingo de Mel

André, 31.08.20

Todos os anos aquelas figueiras dão deliciosos figos, e quando estão bem maduros sai de dentro deles um pingo que é todo idêntico a um pingo de mel.

 

“Pingo de Mel” é o nome da variedade das figueiras, e que no final do Verão delicia-nos com inúmeros figos que nos enche os estômago e conforta o espírito de passar um bom tempo a apanhá-los.

 

Não somos os únicos a apreciar este tipo de fruto, os estorninhos também os adoram e é uma luta por quem chega primeiro aos figos maduros.

 

Não há nada melhor, do que saborear uns figos no campo acabados de apanhar.

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Cartão de Crédito Ambiental

André, 28.08.20

A resposta mundial à Covid-19 levou à redução da Pegada Ecológica da Humanidade, infelizmente não resultou de mudança estrutural, mas de uma crise de saúde pública.

 

A partir de 22 de Agosto, a humanidade passou a usar o cartão de crédito ambiental, visto que esgotou os recursos disponíveis para o ano inteiro, isto segundo os cálculos da Global Footprint Network. Os confinamentos causados pelo coronavírus tiveram como consequência a redução da Pegada Ecológica global em quase 10%. No entanto, ainda são usados os recursos naturais equivalentes a 1,6 planetas Terra.

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O que podemos alcançar com algumas alterações?

  • A redução da pegada de carbono em 50% permitir-nos-á acionar o cartão de crédito ambiental 93 dias mais tarde (final de novembro);
  • Se reduzirmos a nossa pegada ligada à mobilidade em 50% e se assumirmos que um terço dos km são substituídos por transporte público e os restantes pela bicicleta e andar a pé, acionaremos o cartão de crédito ambiental 13 dias depois (para o início de setembro);
  • Se reduzirmos o consumo de carne em 50% e substituirmos essas calorias por uma alimentação vegetariana, o cartão de crédito seria acionado 17 dias depois (para o início de setembro), com 10 desses dias a resultarem das emissões de metano evitadas;
  • A redução do desperdício alimentar para metade permitirá atrasar o Dia da Sobrecarga do Planeta em 13 dias (para o início de setembro).

 

A humanidade utiliza atualmente 60% mais recursos do que aquilo que pode ser regenerado – ou seja, tanto como se tivéssemos disponíveis 1,6 planetas Terra.

 

Referências:

  1. Global Footprint Network. Disponível em: https://www.footprintnetwork.org/
  2. Nações Unidas. Disponível em: https://unric.org/pt/

2020 para salvar o planeta

André, 06.08.20

Secas, inundações, incendios, ciclones tropicais, degelo, recordes de temperatura e outros pesadelos que hoje são reais, vão agravar-se e serão mais frequentes nos próximos anos.

 

O comportamento humano ao longo de décadas levou-nos a este ponto. A 20 de junho, a temperatura na cidade russa de Verkhoyansk na Sibéria chegou aos 38°C, naquela que é uma das zonas mais frias do mundo. De acordo com um novo estudo, essas temperaturas extremas devem-se à atividade humana e são agora 600 vezes mais prováveis de acontecer.

 

2020 é a nossa melhor, mas também a última oportunidade de salvarmos o planeta. Ou melhor, salvarmos as condições do planeta que permitem a nossa sobrevivência.

 

Temos capacidade para mudar?

Os interesses económicos continuarão a prevalecer?

Os Estados Unidos, um dos principais emissores de gases com efeito de estufa, em 2019 formalizaram que iriam abandonar o acordo de Paris que combate as alterações climáticas.

Portugal antecipou o encerramento das suas centrais de carvão em 2 anos, de 2023 para 2021.

A Alemanha tinha anunciado que queria encerrar todas as centrais a carvão e nucleares até 2022, mas este ano reabriu a central a carvão de Kraftwerk Datteln.

 

As probabilidades de atingirmos mais do que 1,5°C de temperatura média global são muito elevadas, sendo que a partir daí a estabilidade do planeta fica altamente comprometida. Não há como tentar salvar o antigo mundo que conhecemos e voltar à normalidade. Se atrasarmos essa mudança para lá de 2020, não há nenhuma garantia que possamos fazê-la mais tarde de uma forma sustentável e ordenada.

A política climática há muito procura manter o aquecimento médio global abaixo de 2°C, ou melhor, de 1,5 °C.

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@Bloomberg Green: Sam Mooy/Getty Images

 

#aquecimentoglobal

 

Referências:

  1. Bloomberg Green, Why Alarm Over Climate Change Is Not Alarmism
  2. Climate Home News, Portugal ends coal burning two years ahead of schedule
  3. Time, 2020 Is Our Last, Best Chance to Save the Planet
  4. World Economic Forum, There's a heatwave at the Arctic ‘doomsday vault’

Alimentação de longevidade

André, 01.08.20

Existem no mundo lugares especiais onde as pessoas têm vidas longas e saudáveis, são as chamadas Zonas Azuis, onde se vive normalmente até aos 100 anos. Estas áreas (como Okinawa no Japão, Sardenha em Itália ou Icária na Grécia) têm sido objeto de uma extensa investigação para se perceber os fatores que influenciam a longevidade desta população.

 

Queremos ter uma vida longa e saudável?

As Zonas Azuis fez mais de 150 pesquisas dentro das comunidades com as pessoas mais velhas do mundo, para descobrir os segredos da sua longevidade.

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Os 4 alimentos que recomendam consumir sempre:

  • 100% de grãos integrais: quinoa, arroz integral, aveia, bulgur, farinha de milho;
  • Frutos secos e sementes: uma mão cheia por dia
  • Legumes e leguminosas: Uma chávena de leguminosas cozidas por dia
  • Frutas e Legumes: 5-10 porções por dia

 

As tentações são muitas e vêm de todo o lado, mas devemos evitar estes 4 alimentos:

  • Bebidas adoçadas com açúcar: calorias vazias
  • Lanches salgados (batatas fritas, etc): muito sal e conservantes
  • Doces embalados (rebuçados, biscoitos embalados e doces): calorias vazias, conservantes, aditivos
  • Carnes processadas (fiambre, bacon, salsicha, carnes frias): aumentam o risco de cancro colorretal e doenças cardíacas

 

Pode conhecer melhor o projeto das Zonas Azuis e consultar todas as guidelines aqui.

 

Referência:

  1. Blue Zones, Four Always, Four to Avoid