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Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Como ser sustentável

André, 09.06.21

Desde que me lembro de ser gente que sonhava ser pai e fui logo abençoado em dose dupla há 9 anos atrás. Os filhotes estão agora a frequentar o 3º ano e como estamos em Junho, o mês do Meio Ambiente, esta temática tem sido bastante explorada nas aulas.

 

Ontem levaram uma pequena ficha para fazerem em casa e entre identificação dos oceanos, planetas, ecopontos, houve duas questões que me chamaram a atenção.

 

Quais são os 5 Rs da sustentabilidade?

Gostaria de saber como podes alterar o teu comportamento para termos um planeta mais sustentável?

 

Vivemos numa sociedade com muitos estímulos para o consumo, para o descartável. Mas estas questões fizeram-me refletir em como seria diferente se todos aplicássemos mais os princípios dos 5 Rs e tivéssemos este compromisso com o meio ambiente.

 

Depois de uma rápida pesquisa na internet, o meu filho escreveu os 5 Rs:

  • Reduzir o consumo;
  • Repensar a forma como consumimos;
  • Recusar produtos e/ou empresa que não seguem leis sustentáveis;
  • Reutilizar materiais;
  • Reciclar corretamente o lixo.

 

Foi um excelente exercício para mim como pai e para os meus filhos, e no final escreveu, “vou reutilizar mais os meus materiais, fazer menos lixo e limpar as praias”!

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Dia Mundial do Ambiente

André, 04.06.21

Em pleno século XXI as notícias são incontornáveis:

  • As alterações climáticas são uma das maiores ameaças à saúde, de acordo com um novo relatório do Conselho Consultivo da Academia Europeia das Ciências;
  • A temperatura à superfície da terra continua a aumentar, prevê-se um aumento de mais 6ºC até ao final deste século;
  • Alguns dos riscos para a saúde relacionados com as alterações climáticas incluem

    ->  Exposição a temperaturas cada vez mais elevadas e eventos extremos como inundações, secas, poluição e alergénios;

    -> Diminuição da segurança alimentar;

    -> Aumento da incidência de doenças infecciosas em parte devido ao crescimento de mosquitos transmissores de doenças;

    -> Risco de migração;

 

Dia 5 de Junho de 2021 celebra-se o Dia Mundial do Ambiente que é o maior evento anual das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar e promover a ação ambiental e a necessidade de proteger o nosso planeta.

O Paquistão será o anfitrião e o tema é «A Restauração do Meio Ambiente». Pretende-se consciencializar para a importância da aproximação do ser humano ao meio ambiente.

 

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Será que a economia e o discurso de desenvolvimento, tem capacidade para ter consciência que este é o grande desafio das nossas vidas?

Será que o ego dos decisores políticos tem humildade suficiente para perceber o impacto que as suas decisões têm no futuro da humanidade?

@unsplash.com

 

Todos temos de fazer mais, muito mais!!!

 

O objetivo desta temática celebrada este ano é consciencializar governos, empresas e sociedade civil na importância da recuperação de ecossistemas que tenham sido degradados ou destruídos, bem como na necessidade de conservação daqueles que ainda estão intactos. A existência de ecossistemas mais saudáveis, com uma biodiversidade mais rica, irá produzir maiores benefícios para o planeta e garantir a subsistência de milhares de milhões de pessoas que dependem deles.

 

 

Para enfrentar a tripla ameaça das alterações climáticas, perda da natureza e poluição, o mundo deve restaurar pelo menos mil milhões de hectares degradados de terra na próxima década. A área equivale ao tamanho da China. E um plano semelhante será preciso para salvar os oceanos.

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@unsplash.com

 

O mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, vem mostrar que a humanidade está a utilizar cerca de 1,6 vezes a quantidade de recursos que a natureza pode fornecer de forma sustentável. Isto significa que os esforços de conservação são insuficientes para evitar o colapso do ecossistema e a perda da biodiversidade.

 

Os custos globais de restauração terrestre, não incluindo os custos de restauração de ecossistemas marinhos, são estimados em pelo menos 200 mil milhões de dólares por ano até 2030.

 

O relatório afirma que cada dólar investido cria até 30 dólares em benefícios económicos.

A restauração dos ecossistemas pode ajudar a enfrentar grandes crises. Ao restaurar a saúde e a produtividade dos ecossistemas terrestres e marinhos degradados, podemos reduzir a perda de biodiversidade, travar as alterações climáticas, criar empregos e aumentar a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

 

Imagine que nada se faz…

Imagine que daqui a 5 anos estamos a falar no mesmo…

 

Numa era pós pandemia, a restauração de ecossistemas em todo o mundo poderá dar um contributo importante para a criação de um planeta mais saudável!

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@unsplash.com

 

Referências:

  1. Organização das Nações Unidas. Disponível aqui

Portugal sem recursos

André, 13.05.21

Quando consultamos o dicionário, ficamos sem dúvidas que recursos são um conjunto de meios disponíveis para serem utilizados (ex.: recursos hídricos; recursos humanos; recursos materiais; recursos naturais).

 

Desde hoje, dia 13 de Maio, Portugal começa a viver a “crédito ambiental”, ou seja, os cidadãos consumiram todos os recursos que permitiriam viver de forma sustentável este ano de 2021.

O ano passado o dia da sobrecarga só chegou em 25 de maio.

 

As áreas que têm mais peso na pegada ecológica de Portugal são alimentação, responsável por 32% do consumo de recursos, e a mobilidade.

Não obstante todos os esforços que fazemos pela eficiência energética, pela reciclagem, Portugal não está a conseguir reduzir a pegada ecológica, e continua a aumentá-la.

 

O que temos de mudar?

  • Para a associação Zero, os objetivos devem passar pela redução do consumo de proteína animal e a aposta numa “alimentação típica mediterrânica, com mais vegetais, leguminosas e mais fruta”. De acordo com os dados para Portugal, os cidadãos consomem três vezes mais carne do que se recomenda na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços da fruta;
  • Movimentarmo-nos de forma sustentável, privilegiar os transportes coletivos, andar de bicicleta, a pé, e claro, reduzir ou eliminar mesmo as viagens de avião substituindo nomeadamente as reuniões por videoconferência;
  • Consumir de forma mais circular, é fundamental mudar o paradigma de “usar e deitar fora”, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de “ter menos, mas de melhor qualidade”, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação.

 

Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus, para implementar transformações que possam contribuir para que possamos viver com bem-estar, respeitando os limites do planeta.

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Referências:

  1. Zero, Portugal aciona cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo. Disponível aqui.

European Organic Congress

André, 06.05.21

O Planeta está cada vez mais poluído, com a emissão de mais CO2 para a atmosfera, o efeito de estufa continua a aumentar, cada vez mais doenças crónicas afetam pessoas em todo o mundo, se não houver uma inversão urgente das políticas e dos comportamentos, enfrentaremos mudanças irreversíveis que terão um grande impacto na nossa vida.

 

O European Organic Congress é uma feira onde são discutidas as políticas de desenvolvimento da alimentação e agricultura orgânica. Neste evento são abordados vários temas como:

  • Green deal da UE;
  • A contribuição da agricultura biológica para a mitigação das alterações climáticas;
  • Sistemas alimentares sustentáveis;
  • Desenvolvimento rural;
  • E muito mais…

 

A 15ª edição do evento realizar-se-á em Lisboa de 16 a 18 de Junho, e devido à pandemia podemos assistir online.

 

A organização é da responsabilidade IFOAM e da Agrobio. Podendo reservar um lugar virtual aqui.

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Referências:

  1. European Organic Congress
  2. Agrobio
  3. IFOAM Organics International

Aveleira | clima

André, 27.01.21

O consumo de frutos secos aumentou mais de 53% nos últimos 10 anos. Este aumento da procura deve-se a um maior conhecimento dos benefícios que este alimento tem na saúde. Estudos revelam que os frutos secos podem ajudar a diminuir o risco de doenças cardiovasculares e até o cancro.

 

A produção deste tipo de cultura (avelã, amêndoa, noz, amendoim) tem algumas exigências climáticas, que fazem com que a produção seja maior quando as condições aproximam-se das ideais.

 

A aveleira é uma planta de clima temperado. As temperaturas médias anuais para o seu desenvolvimento oscilam entre 23-27º C durante o dia e 16-18º C durante a noite no verão, e temperaturas mínimas invernais não inferiores a -8º C.  

Apesar de existirem cultivares com diferentes graus de resistência ao frio, a aveleira é uma fruteira relativamente resistente às geadas, necessitando de 700 a 1200 h de frio (entre Outubro e Abril abaixo de 7º C).

 

O número de horas de frio varia para as flores masculinas e femininas: as flores masculinas requerem entre 100 e 800 horas de frio para um adequado desenvolvimento, enquanto as femininas exigem entre 250 e 1500 horas de frio dependendo da cultivar.

O conhecimento das necessidades de frio das diferentes variedades permite ao produtor escolher as mais indicadas para a sua região

 

Que desafios enfrentamos?

Sabemos que o impacto das atividades humanas, nomeadamente a queima de combustíveis fósseis, o abate da floresta tropical e a pecuária, no clima e na temperatura da Terra é cada vez maior. As enormes quantidades de gases com efeito de estufas provenientes destas atividades juntam-se às naturalmente presentes na atmosfera, reforçando o efeito de estufa e o aquecimento global.

               

A desflorestação, por sua vez, é causada por atividades de produção altamente intensivas e poluentes, nomeadamente a agropecuária intensiva.

 

Numa altura em que deparamo-nos com épocas de frio ou calores extremos, tempestades, tufões,… será que devemos apostar numa cultura que pede um clima temperado e que terá retorno a médio/longo prazo?

Acredito que todos devemos fazer um pouco e contribuir para reverter a tendência catastrófica que o planeta está a levar, e também por isso decidi apostar (e continuarei a fazê-lo) na produção de Avelã em Modo de Produção Biológico.

O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

        == Madre Teresa de Calcutá ==

 

Quem tem árvores de fruto ou apenas por curiosidade, pode como ferramenta de auxílio acompanhar no site do ipma as horas de frio nas várias regiões de Portugal, e podemos ver a sua evolução ao longo dos meses (Outubro a Abril).

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Referências:

  1. A Aveleira, Projeto AGRO 162
  2. Aveleira: Estado da Produção. CNCFS
  3. Instituto Português do Mar e Agricultura. Disponível aqui

Cartão de Crédito Ambiental

André, 28.08.20

A resposta mundial à Covid-19 levou à redução da Pegada Ecológica da Humanidade, infelizmente não resultou de mudança estrutural, mas de uma crise de saúde pública.

 

A partir de 22 de Agosto, a humanidade passou a usar o cartão de crédito ambiental, visto que esgotou os recursos disponíveis para o ano inteiro, isto segundo os cálculos da Global Footprint Network. Os confinamentos causados pelo coronavírus tiveram como consequência a redução da Pegada Ecológica global em quase 10%. No entanto, ainda são usados os recursos naturais equivalentes a 1,6 planetas Terra.

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O que podemos alcançar com algumas alterações?

  • A redução da pegada de carbono em 50% permitir-nos-á acionar o cartão de crédito ambiental 93 dias mais tarde (final de novembro);
  • Se reduzirmos a nossa pegada ligada à mobilidade em 50% e se assumirmos que um terço dos km são substituídos por transporte público e os restantes pela bicicleta e andar a pé, acionaremos o cartão de crédito ambiental 13 dias depois (para o início de setembro);
  • Se reduzirmos o consumo de carne em 50% e substituirmos essas calorias por uma alimentação vegetariana, o cartão de crédito seria acionado 17 dias depois (para o início de setembro), com 10 desses dias a resultarem das emissões de metano evitadas;
  • A redução do desperdício alimentar para metade permitirá atrasar o Dia da Sobrecarga do Planeta em 13 dias (para o início de setembro).

 

A humanidade utiliza atualmente 60% mais recursos do que aquilo que pode ser regenerado – ou seja, tanto como se tivéssemos disponíveis 1,6 planetas Terra.

 

Referências:

  1. Global Footprint Network. Disponível em: https://www.footprintnetwork.org/
  2. Nações Unidas. Disponível em: https://unric.org/pt/

2020 para salvar o planeta

André, 06.08.20

Secas, inundações, incendios, ciclones tropicais, degelo, recordes de temperatura e outros pesadelos que hoje são reais, vão agravar-se e serão mais frequentes nos próximos anos.

 

O comportamento humano ao longo de décadas levou-nos a este ponto. A 20 de junho, a temperatura na cidade russa de Verkhoyansk na Sibéria chegou aos 38°C, naquela que é uma das zonas mais frias do mundo. De acordo com um novo estudo, essas temperaturas extremas devem-se à atividade humana e são agora 600 vezes mais prováveis de acontecer.

 

2020 é a nossa melhor, mas também a última oportunidade de salvarmos o planeta. Ou melhor, salvarmos as condições do planeta que permitem a nossa sobrevivência.

 

Temos capacidade para mudar?

Os interesses económicos continuarão a prevalecer?

Os Estados Unidos, um dos principais emissores de gases com efeito de estufa, em 2019 formalizaram que iriam abandonar o acordo de Paris que combate as alterações climáticas.

Portugal antecipou o encerramento das suas centrais de carvão em 2 anos, de 2023 para 2021.

A Alemanha tinha anunciado que queria encerrar todas as centrais a carvão e nucleares até 2022, mas este ano reabriu a central a carvão de Kraftwerk Datteln.

 

As probabilidades de atingirmos mais do que 1,5°C de temperatura média global são muito elevadas, sendo que a partir daí a estabilidade do planeta fica altamente comprometida. Não há como tentar salvar o antigo mundo que conhecemos e voltar à normalidade. Se atrasarmos essa mudança para lá de 2020, não há nenhuma garantia que possamos fazê-la mais tarde de uma forma sustentável e ordenada.

A política climática há muito procura manter o aquecimento médio global abaixo de 2°C, ou melhor, de 1,5 °C.

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@Bloomberg Green: Sam Mooy/Getty Images

 

#aquecimentoglobal

 

Referências:

  1. Bloomberg Green, Why Alarm Over Climate Change Is Not Alarmism
  2. Climate Home News, Portugal ends coal burning two years ahead of schedule
  3. Time, 2020 Is Our Last, Best Chance to Save the Planet
  4. World Economic Forum, There's a heatwave at the Arctic ‘doomsday vault’