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Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Por dentro dos segredos do grão-de-bico

André, 12.08.21

A Dieta Mediterrânica e a roda dos alimentos Portuguesa promovem o consumo de pelo menos duas porções de leguminosas por semana. Estes alimentos são muito completos do ponto de vista nutricional, fornecendo uma quantidade importante de proteína de origem vegetal.

O grão-de-bico em particular tem um grande valor mineral, principalmente ferro, magnésio, potássio, zinco, cobre e manganésio.

 

Em Portugal a produção de grão-de-bico tem vindo a aumentar. Depois de em 2014 se terem produzido 531 toneladas, em 2018 atingiu-se as 2.000, e a área dedicada à cultura aumentou de 920 hectares para 2.594 no mesmo período.

Mesmo com este aumento de produção, ainda somos claramente deficitários, tendo um  grau de auto-aprovisionamento de apenas 7,4%. Em 2019 as importações nacionais de grão ascenderam a 41.572 toneladas, enquanto as exportações nacionais totalizaram 2.191 toneladas (segundo dados do GPP)

Para se garantir elevados rendimentos é fundamental efetuar uma boa preparação do solo, usar doses recomendadas de semente de boa qualidade. As sementes precisam de água no solo para a germinação. Um solo bem preparado permite o melhor contacto da semente com as partículas de terra, o que facilita a germinação.

 

A época de sementeira é igualmente um fator importante; pode determinar o tipo de condições com que a cultura se irá confrontar ao longo dos diferentes estádios fenológicos.

Ao contrário de outras leguminosas, o grão-de-bico é tradicionalmente semeado na primavera.

No entanto, a sementeira efetuada na primavera, não permite maximizar nem a produção, nem o benefício em termos de fixação de azoto pela cultura (Silim e Saxena, 1997), isto porque nas primaveras pouco húmidas, as plantas nodulam mal, crescem pouco, produzem quase nada e esgotam o solo em vez de deixarem algum benefício em termos de fertilidade.

 

As condições atmosféricas são de extrema importância, por exemplo primaveras húmidas e quentes, surge com frequência a raiva que é uma doença causada pelo fungo Ascochyta rabiei Pass., que pode provocar elevadas perdas de produção em variedades sensíveis.

Sementeiras antecipadas no outono/inverno podem garantir produções mais elevadas, mas tem a desvantagem pelo desenvolvimento de fungos e infestantes.

 

Perante diferentes desafios, e mesmo sabendo que não controlamos todas as variáveis, o produtor tem de tomar decisões.

 

Variedade da semente?

Quantidade por hectare?

Época da sementeira?

 

Uma boa preparação do solo é extremamente importante, sendo que o grão prefere solos bem drenados e de textura fina. Pelo estudos efetuados, o Iniav de Elvas recomenda 120/150 Kg de semente por hectare.

 

Em sementeiras de primavera, a colheita realiza-se durante os meses de Julho/Agosto, com uma ceifeira de cereais adaptada. Para evitar o máximo de perdas de semente, a altura de corte deve ser o mais baixa possível.

 

O cultivo e a produção de grão são também importantes para o objetivo de uma agricultura sustentável, onde a melhoria da fertilidade e da estrutura do solo são essenciais, bem como a redução da adubação de origem química.

Os segredos da primeira sementeira

André, 15.04.21

A Dieta Mediterrânica e a roda dos alimentos Portuguesa promovem o consumo de pelo menos duas porções de leguminosas por semana. Estes alimentos são muito completos do ponto de vista nutricional, fornecendo uma quantidade importante de proteína de origem vegetal. Além de importantes fontes proteicas, são excelentes fontes de hidratos de carbono complexos e fibra, com inúmeras vantagens, como: promoção da saciedade, redução da absorção de colesterol e manutenção dos níveis de glicémia estáveis.

 

Este ano pela primeira vez estou a aventurar-me no cultivo de feijão e grão-de-bico. Para mim a agricultura e a sustentabilidade devem andar de mãos dadas, por isso esta produção será em modo biológico sem recurso a quaisquer produtos químicos.

 

Recomenda-se que o grão seja semeado em Abril e o feijão em Maio, para aproveitar os meses de calor e evitar que a colheita ocorra durante os meses frios. Dependendo da área e quantidades que se pretende semear, poderá utilizar-se um semeador pneumático, de preferência com distanciamento entrelinhas de 30 a 50 cm e à profundidade de 5 a 7 cm.

 

Sendo uma cultura pouco exigente, a minha pouca experiência no manuseamento das alfaias agrícolas, sobretudo do semeador de linhas pode atrasar um pouco todo este processo de preparação do terreno e sementeira.

 

Parte do terreno que pretendo cultivar já está preparado com uma gradagem cruzada, agora é avançar com a sementeira e esperar que as condições se reúnam para daqui a uns meses possa fazer uma boa colheita.

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