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Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Becoming Farmer

Diário de um apaixonado pela natureza, meio ambiente e que se está a tornar agricultor

Aquecimento global atinge o limite de +1,5°C já em 2030 ?!!!

André, 21.09.21

Incêndios florestais, inundações, secas, ondas de calor e outras catástrofes naturais têm assolado as populações um pouco por todo o mundo. A ciência é inequívoca; um aumento global de 1,5°C acima da média pré-industrial e a perda contínua de risco de biodiversidade podem causar danos catastróficos à saúde que serão impossíveis de reverter.

 

O que podemos mudar para evitar o rumo que estamos a tomar?

Que mais evidências é que as pessoas que estão no poder precisam para agirem?

 

Uma busca desenfreada pelo sucesso, pelo desenvolvimento e uma economia obstinada têm contribuído para continuarmos a ignorar os avisos que temos recebido nas últimas décadas da ciência climática.

 

O mais recente relatório apresentado pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) mostra que os eventos extremos e o aquecimento estão a decorrer mais rapidamente do que se previa. É provável que o aquecimento global atinja +1,5°C entre 2030 e 2052, caso continue a aumentar ao ritmo atual. A ONU alerta que os compromissos assumidos pelos Estados signatários do acordo de Paris estão a conduzir o mundo a um aquecimento global “catastrófico” de +2,7°C até ao fim do século, longe do objetivo de 1,5°C.

 

Prevê-se que os riscos para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água, segurança humana aumentem com o aquecimento global de 1,5°C, ou que os impactos sobre a biodiversidade e ecossistemas, incluindo perda e extinção de espécies, sejam incalculáveis se ultrapassarmos a meta dos 1,5°C.

Outra das conclusões é a importância que tem o metano no aquecimento. Metano esse em que uma das principais fontes é a produção de gado para consumo humano. Tudo terá de mudar, e com certeza o que colocamos no prato é fundamental para travar a crise.

 

O que é realmente importante?

A pandemia Covid-19 desafiou-nos a encontramos soluções rápidas e sem precedentes para salvar vidas. A crise climática precisa desse investimento e de todos os esforços para travarmos a degradação acelerada do planeta.

 

Um pouco por todo o mundo há cada vez mais iniciativas que visam sensibilizar os grandes decisores e todos nós para o grande desafio das nossas vidas, travar o aumento do aquecimento global.

 

Dia 22 de Setembro celebra-se o dia Europeu sem carros. Esta iniciativa tem como objetivo sensibilizar para a redução do tráfego rodoviário dentro das cidades, de forma a promover a qualidade de vida e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais.

 

Dia 24 de Setembro, o Fridays for Future dará mais um passo rumo ao encontro com a sociedade civil. Convocam todas as pessoas a irem para as ruas para um grande ato cívico para pedir ações mais efetivas contra a crise climática. Estas marchas são transversais e realizar-se-ão em todos os países. Aqui pode consular todas as cidades aderentes.

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Lista de cidades Portuguesas:

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Referências:

  1. IPCC, Intergovernmental Panel on Climate Change. Disponível aqui.
  2. Fridays For Future. Disponível aqui.
  3. Earth Overshoot day. Disponível aqui.

Top 100 CO2

André, 05.08.21

Algumas notícias das últimas 4 semanas:

Incêndios devastam costas da Turquia;

Incêndio de grandes dimensões nos arredores de Atenas;

Cheias já causaram 183 mortes, só na Alemanha 156;

Temporal. Seis mortos é o balanço provisório nas cheias na Bélgica;

Uma onda de calor histórica está a afetar grande parte do noroeste do Pacífico nos Estados Unidos, tornando a seca ainda pior.

 

@euronews

Apesar dos esforços e de uma maior consciência dos impactos das nossas ações no planeta e em tudo o que acontece em consequência disso, é claramente insuficiente para evitar o que está a acontecer.

 

O que podemos mudar?

Iremos a tempo de inverter esta tendência?

Há 100 empresas que acham que não, só elas contribuem com 71% de todas as emissões de CO2 para a atmosfera.

 

Curioso a sua geografia e core business.

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@SasjaBeslik

Dia Mundial do Ambiente

André, 04.06.21

Em pleno século XXI as notícias são incontornáveis:

  • As alterações climáticas são uma das maiores ameaças à saúde, de acordo com um novo relatório do Conselho Consultivo da Academia Europeia das Ciências;
  • A temperatura à superfície da terra continua a aumentar, prevê-se um aumento de mais 6ºC até ao final deste século;
  • Alguns dos riscos para a saúde relacionados com as alterações climáticas incluem

    ->  Exposição a temperaturas cada vez mais elevadas e eventos extremos como inundações, secas, poluição e alergénios;

    -> Diminuição da segurança alimentar;

    -> Aumento da incidência de doenças infecciosas em parte devido ao crescimento de mosquitos transmissores de doenças;

    -> Risco de migração;

 

Dia 5 de Junho de 2021 celebra-se o Dia Mundial do Ambiente que é o maior evento anual das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar e promover a ação ambiental e a necessidade de proteger o nosso planeta.

O Paquistão será o anfitrião e o tema é «A Restauração do Meio Ambiente». Pretende-se consciencializar para a importância da aproximação do ser humano ao meio ambiente.

 

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Será que a economia e o discurso de desenvolvimento, tem capacidade para ter consciência que este é o grande desafio das nossas vidas?

Será que o ego dos decisores políticos tem humildade suficiente para perceber o impacto que as suas decisões têm no futuro da humanidade?

@unsplash.com

 

Todos temos de fazer mais, muito mais!!!

 

O objetivo desta temática celebrada este ano é consciencializar governos, empresas e sociedade civil na importância da recuperação de ecossistemas que tenham sido degradados ou destruídos, bem como na necessidade de conservação daqueles que ainda estão intactos. A existência de ecossistemas mais saudáveis, com uma biodiversidade mais rica, irá produzir maiores benefícios para o planeta e garantir a subsistência de milhares de milhões de pessoas que dependem deles.

 

 

Para enfrentar a tripla ameaça das alterações climáticas, perda da natureza e poluição, o mundo deve restaurar pelo menos mil milhões de hectares degradados de terra na próxima década. A área equivale ao tamanho da China. E um plano semelhante será preciso para salvar os oceanos.

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@unsplash.com

 

O mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, vem mostrar que a humanidade está a utilizar cerca de 1,6 vezes a quantidade de recursos que a natureza pode fornecer de forma sustentável. Isto significa que os esforços de conservação são insuficientes para evitar o colapso do ecossistema e a perda da biodiversidade.

 

Os custos globais de restauração terrestre, não incluindo os custos de restauração de ecossistemas marinhos, são estimados em pelo menos 200 mil milhões de dólares por ano até 2030.

 

O relatório afirma que cada dólar investido cria até 30 dólares em benefícios económicos.

A restauração dos ecossistemas pode ajudar a enfrentar grandes crises. Ao restaurar a saúde e a produtividade dos ecossistemas terrestres e marinhos degradados, podemos reduzir a perda de biodiversidade, travar as alterações climáticas, criar empregos e aumentar a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

 

Imagine que nada se faz…

Imagine que daqui a 5 anos estamos a falar no mesmo…

 

Numa era pós pandemia, a restauração de ecossistemas em todo o mundo poderá dar um contributo importante para a criação de um planeta mais saudável!

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@unsplash.com

 

Referências:

  1. Organização das Nações Unidas. Disponível aqui

Portugal sem recursos

André, 13.05.21

Quando consultamos o dicionário, ficamos sem dúvidas que recursos são um conjunto de meios disponíveis para serem utilizados (ex.: recursos hídricos; recursos humanos; recursos materiais; recursos naturais).

 

Desde hoje, dia 13 de Maio, Portugal começa a viver a “crédito ambiental”, ou seja, os cidadãos consumiram todos os recursos que permitiriam viver de forma sustentável este ano de 2021.

O ano passado o dia da sobrecarga só chegou em 25 de maio.

 

As áreas que têm mais peso na pegada ecológica de Portugal são alimentação, responsável por 32% do consumo de recursos, e a mobilidade.

Não obstante todos os esforços que fazemos pela eficiência energética, pela reciclagem, Portugal não está a conseguir reduzir a pegada ecológica, e continua a aumentá-la.

 

O que temos de mudar?

  • Para a associação Zero, os objetivos devem passar pela redução do consumo de proteína animal e a aposta numa “alimentação típica mediterrânica, com mais vegetais, leguminosas e mais fruta”. De acordo com os dados para Portugal, os cidadãos consomem três vezes mais carne do que se recomenda na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços da fruta;
  • Movimentarmo-nos de forma sustentável, privilegiar os transportes coletivos, andar de bicicleta, a pé, e claro, reduzir ou eliminar mesmo as viagens de avião substituindo nomeadamente as reuniões por videoconferência;
  • Consumir de forma mais circular, é fundamental mudar o paradigma de “usar e deitar fora”, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de “ter menos, mas de melhor qualidade”, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação.

 

Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus, para implementar transformações que possam contribuir para que possamos viver com bem-estar, respeitando os limites do planeta.

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Referências:

  1. Zero, Portugal aciona cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo. Disponível aqui.

European Organic Congress

André, 06.05.21

O Planeta está cada vez mais poluído, com a emissão de mais CO2 para a atmosfera, o efeito de estufa continua a aumentar, cada vez mais doenças crónicas afetam pessoas em todo o mundo, se não houver uma inversão urgente das políticas e dos comportamentos, enfrentaremos mudanças irreversíveis que terão um grande impacto na nossa vida.

 

O European Organic Congress é uma feira onde são discutidas as políticas de desenvolvimento da alimentação e agricultura orgânica. Neste evento são abordados vários temas como:

  • Green deal da UE;
  • A contribuição da agricultura biológica para a mitigação das alterações climáticas;
  • Sistemas alimentares sustentáveis;
  • Desenvolvimento rural;
  • E muito mais…

 

A 15ª edição do evento realizar-se-á em Lisboa de 16 a 18 de Junho, e devido à pandemia podemos assistir online.

 

A organização é da responsabilidade IFOAM e da Agrobio. Podendo reservar um lugar virtual aqui.

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Referências:

  1. European Organic Congress
  2. Agrobio
  3. IFOAM Organics International

Prioridade ao ambiente

André, 22.12.20

Por muitos indicadores climáticos que tenhamos, é necessário haver incentivos que realmente promovam as boas práticas agrícolas e desmobilizem aquelas que em nada beneficiam a saúde e o ambiente.

 

A Comissão Europeia recomenda que Portugal dê prioridade à preservação ambiental e aumente a área de agricultura biológica, segundo a avaliação de Bruxelas, “a área de agricultura biológica está muito abaixo da média da União Europeia” e os sistemas agrícolas que têm um impacto positivo em termos ambientais estão a desenvolver-se lentamente, devendo ser privilegiado o financiamento das boas práticas agrícolas, que respeitem a biodiversidade.

Bruxelas recomenda que agricultura em Portugal dê prioridade ao ambiente

Referência:

  1. Bruxelas recomenda que agricultura em Portugal dê prioridade ao ambiente

Cartão de Crédito Ambiental

André, 28.08.20

A resposta mundial à Covid-19 levou à redução da Pegada Ecológica da Humanidade, infelizmente não resultou de mudança estrutural, mas de uma crise de saúde pública.

 

A partir de 22 de Agosto, a humanidade passou a usar o cartão de crédito ambiental, visto que esgotou os recursos disponíveis para o ano inteiro, isto segundo os cálculos da Global Footprint Network. Os confinamentos causados pelo coronavírus tiveram como consequência a redução da Pegada Ecológica global em quase 10%. No entanto, ainda são usados os recursos naturais equivalentes a 1,6 planetas Terra.

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O que podemos alcançar com algumas alterações?

  • A redução da pegada de carbono em 50% permitir-nos-á acionar o cartão de crédito ambiental 93 dias mais tarde (final de novembro);
  • Se reduzirmos a nossa pegada ligada à mobilidade em 50% e se assumirmos que um terço dos km são substituídos por transporte público e os restantes pela bicicleta e andar a pé, acionaremos o cartão de crédito ambiental 13 dias depois (para o início de setembro);
  • Se reduzirmos o consumo de carne em 50% e substituirmos essas calorias por uma alimentação vegetariana, o cartão de crédito seria acionado 17 dias depois (para o início de setembro), com 10 desses dias a resultarem das emissões de metano evitadas;
  • A redução do desperdício alimentar para metade permitirá atrasar o Dia da Sobrecarga do Planeta em 13 dias (para o início de setembro).

 

A humanidade utiliza atualmente 60% mais recursos do que aquilo que pode ser regenerado – ou seja, tanto como se tivéssemos disponíveis 1,6 planetas Terra.

 

Referências:

  1. Global Footprint Network. Disponível em: https://www.footprintnetwork.org/
  2. Nações Unidas. Disponível em: https://unric.org/pt/

2020 para salvar o planeta

André, 06.08.20

Secas, inundações, incendios, ciclones tropicais, degelo, recordes de temperatura e outros pesadelos que hoje são reais, vão agravar-se e serão mais frequentes nos próximos anos.

 

O comportamento humano ao longo de décadas levou-nos a este ponto. A 20 de junho, a temperatura na cidade russa de Verkhoyansk na Sibéria chegou aos 38°C, naquela que é uma das zonas mais frias do mundo. De acordo com um novo estudo, essas temperaturas extremas devem-se à atividade humana e são agora 600 vezes mais prováveis de acontecer.

 

2020 é a nossa melhor, mas também a última oportunidade de salvarmos o planeta. Ou melhor, salvarmos as condições do planeta que permitem a nossa sobrevivência.

 

Temos capacidade para mudar?

Os interesses económicos continuarão a prevalecer?

Os Estados Unidos, um dos principais emissores de gases com efeito de estufa, em 2019 formalizaram que iriam abandonar o acordo de Paris que combate as alterações climáticas.

Portugal antecipou o encerramento das suas centrais de carvão em 2 anos, de 2023 para 2021.

A Alemanha tinha anunciado que queria encerrar todas as centrais a carvão e nucleares até 2022, mas este ano reabriu a central a carvão de Kraftwerk Datteln.

 

As probabilidades de atingirmos mais do que 1,5°C de temperatura média global são muito elevadas, sendo que a partir daí a estabilidade do planeta fica altamente comprometida. Não há como tentar salvar o antigo mundo que conhecemos e voltar à normalidade. Se atrasarmos essa mudança para lá de 2020, não há nenhuma garantia que possamos fazê-la mais tarde de uma forma sustentável e ordenada.

A política climática há muito procura manter o aquecimento médio global abaixo de 2°C, ou melhor, de 1,5 °C.

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@Bloomberg Green: Sam Mooy/Getty Images

 

#aquecimentoglobal

 

Referências:

  1. Bloomberg Green, Why Alarm Over Climate Change Is Not Alarmism
  2. Climate Home News, Portugal ends coal burning two years ahead of schedule
  3. Time, 2020 Is Our Last, Best Chance to Save the Planet
  4. World Economic Forum, There's a heatwave at the Arctic ‘doomsday vault’